Futebol Feminino

MST realiza seminário estadual sobre o futebol feminino em Fortaleza

Seminário Estadual “Futebol de Mulheres entre Copas: Passado, Presente, Reparação e Legados” reuniu pesquisadoras, gestoras, ex-atletas e militantes para debater memória, desafios e caminhos da modalidade

Foto: Yuri Juatama

Por Aline Oliveira
Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) realizou, nesta quinta-feira, 4 de junho de 2026, o Seminário Estadual “Futebol de Mulheres entre Copas: Passado, Presente, Reparação e Legados”. O encontro aconteceu no Centro de Formação Frei Humberto, em Fortaleza, a partir das 10h da manhã, e reuniu diferentes personalidades em torno da trajetória do futebol feminino no Brasil, de suas disputas históricas e dos desafios que ainda marcam a modalidade.

A atividade contou com a presença de nomes de diferentes áreas ligadas ao esporte e à luta das mulheres, entre elas Juliana Agatte, secretária extraordinária da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027; Aira Bonfim, historiadora e pesquisadora de futebol; Katiucy Castro, da Associação Cearense de Atletas e Ex-Atletas de Futebol Feminino; Nueli Silveira, diretora executiva da Ferroviária Araraquara; e Karen Rocha, ex-atleta de futebol.

Mais do que um seminário temático, o encontro se consolidou como um espaço de memória, formação política e valorização das mulheres que constroem o futebol dentro e fora das quatro linhas. Ao reunir pesquisadoras, dirigentes, ex-atletas e militantes, a proposta foi ampliar o debate sobre a invisibilidade histórica das mulheres no esporte, o reconhecimento de suas trajetórias e a necessidade de respostas diante das desigualdades que ainda marcam a modalidade.

Foto: Yuri Juatama

Um debate sobre história, luta e reconhecimento do futebol de mulheres

O futebol feminino, por muito tempo, foi atravessado por proibições, preconceitos e falta de investimento. Embora tenha avançado nas últimas décadas, a modalidade ainda enfrenta desigualdades em relação ao futebol masculino, tanto na estrutura oferecida às atletas quanto na visibilidade das competições.

Nesse contexto, o seminário organizado pelo MST ganhou relevância ao articular esporte, memória e justiça social. A historiadora e pesquisadora de futebol Aira Bonfim destacou a relação entre o esporte, a saúde, a construção de coletividades e o papel político do seminário, “Quando uma brasileira pisa num campo como esse, quando a gente fala de um país que vai receber uma Copa do Mundo, inclusive nesta cidade de Fortaleza, isso envolve a sociedade. A oportunidade de participar do seminário foi uma troca com pessoas que estão dentro dos clubes, do governo, das universidades e que já viveram o futebol como atletas, junto com qualquer pessoa que tivesse interesse em fazer essas trocas, inclusive mulheres brasileiras, cearenses e assentadas. Então, hoje a gente congrega esse encontro que é teórico, é prático e faz do esporte essa ferramenta de luta.”

Foto: Yuri Juatama

Juliana Agatte, secretária extraordinária da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, destacou a importância de que o torneio deixe legados permanentes para as mulheres no esporte, “Quando a gente pensa na Copa do Mundo Feminina de 2027, uma das grandes agendas é o legado esportivo, social e econômico. Conhecer o quanto as mulheres do campo têm praticado futebol é muito interessante, porque, quando a gente fala em futebol de mulheres, estamos falando dessa diversidade de mulheres.

A Copa do Mundo Feminina de 2027 tem como objetivo não apenas a realização desse grande evento histórico para o Brasil, para a América do Sul e para a América Latina, mas também trazer para o centro da agenda o potencial de legado esportivo, social e econômico.

Foto: Yuri Juatama

Como legado esportivo, queremos a profissionalização do futebol feminino em todo o país e também o incentivo ao futebol de base e escolar, para que as meninas tenham acesso e para que as mulheres também sejam dirigentes do futebol, tanto feminino quanto masculino.

Do ponto de vista do legado social, é trazer as mulheres para o centro da agenda, reconhecendo a simbologia e a realidade de que elas fazem história dentro e fora de campo, e para que a gente diga, juntas, um basta a todas as situações de violência contra as mulheres.”

Foto: Yuri Juatama

O seminário estadual fez parte da programação de abertura da Copa e da Feira da Reforma Agrária, realizada em Fortaleza, na tarde do dia 4, no Estádio Presidente Vargas. A atividade reforçou a importância de iniciativas que resgatem a história do futebol de mulheres e apontem caminhos para ampliar direitos, oportunidades e reconhecimento para atletas, ex-atletas e demais protagonistas da modalidade.