Reta Final
Em Minas Gerais, Lula aposta na mobilização popular para decidir a eleição
Na reta final do segundo turno, presidente percorre diferentes regiões mineiras e encontra movimentos sociais, trabalhadores e apoiadores; MST fortalece a campanha com trabalho de base, formação política e comunicação popular

Por Alí Nacif
Da Página do MST
Minas Gerais voltou ao centro da disputa presidencial de 2026. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado é considerado estratégico para o resultado nacional Na reta final da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou sua presença no território mineiro, onde cumpriu sete agendas entre agosto e outubro, em Belo Horizonte, Montes Claros, Juiz de Fora e Ipatinga.
A sequência de atividades ocorreu em um cenário de disputa acirrada e ampliou a importância da mobilização política no estado. Em Minas Gerais, a pesquisa Real Time Big Data divulgada em 3 de outubro apontou 50% dos votos válidos para Lula e 50% para Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento reforçou a necessidade de ampliar o diálogo com o eleitorado mineiro.
Nesse contexto, as visitas do presidente não se resumem à participação em atos públicos. Elas integram uma estratégia para fortalecer a campanha em regiões com diferentes realidades sociais e econômicas, aproximar Lula da população e mobilizar apoiadores para a votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro.
A disputa também mobiliza o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que atua em Minas Gerais por meio das Brigadas Estadual e Metropolitana de Mobilização Popular, em articulação com movimentos sociais, organizações populares e militantes do campo democrático. O trabalho envolve formação política, comunicação, ações de rua e diálogo direto com a população, relacionando a defesa da democracia aos direitos da classe trabalhadora e à Reforma Agrária Popular.
Sete agendas e uma disputa decisiva para Minas Gerais
A primeira agenda ocorreu em 21 de agosto, em Belo Horizonte, com um grande ato na Praça da Estação. A atividade reuniu milhares de pessoas e marcou a mobilização em torno da candidatura de Lula à reeleição e de Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais. Militantes do MST, movimentos populares, lideranças políticas e apoiadores ocuparam o centro da capital para participar do encontro.

A presença da Brigada Estadual de Mobilização Popular do MST fez parte da construção política da atividade. A organização dos militantes, a preparação para o ato e a participação de diferentes territórios contribuíram para reunir forças populares em torno da campanha. O encontro também colocou em evidência a importância da articulação entre a disputa presidencial e as pautas defendidas pelos movimentos sociais em Minas Gerais.
Oito dias depois, em 29 de agosto, Lula retornou à capital para participar do ato Mulheres com Lula, realizado na Serraria Souza Pinto. A atividade reuniu mulheres do campo e da cidade, militantes, representantes de movimentos sociais e lideranças políticas. A participação das mulheres do MST reafirmou a importância da organização popular na defesa dos direitos sociais, da igualdade e da participação política.
A agenda também dialogou com as condições de vida das trabalhadoras brasileiras, que enfrentam desafios relacionados à renda, ao trabalho, ao cuidado e ao acesso a políticas públicas. Para as mulheres Sem Terra, a luta pela terra está relacionada à produção de alimentos, à autonomia econômica e à construção de relações sociais baseadas na solidariedade e no respeito.
Em 17 de setembro, Lula esteve em Montes Claros, no Norte de Minas. Antes de participar da caminhada de campanha, visitou o complexo industrial da Eurofarma. Depois, seguiu para o ato político acompanhado de Patrus Ananias, Marília Campos, Áurea Carolina e outras lideranças. A mobilização percorreu ruas do bairro Maracanã e terminou na Praça Antônio Jorge da Silva.

A passagem pelo Norte de Minas ampliou a presença da campanha em uma região marcada pela agricultura familiar e camponesa e por demandas relacionadas ao acesso à água, à geração de renda e às políticas públicas. A produção de alimentos e as condições de permanência das famílias no campo também integram as pautas defendidas pelo MST, que relaciona a Reforma Agrária Popular à garantia de direitos e à construção de condições dignas de vida.
A quarta agenda ocorreu em 2 de outubro, novamente em Belo Horizonte, com a caminhada Brasil Pronto pra Mais. A atividade aconteceu na reta final do primeiro turno, entre as praças da Liberdade e Tiradentes, e reuniu apoiadores em torno de Lula e das candidaturas do campo democrático e popular. Mesmo com a chuva, a mobilização ocupou as ruas da capital.
Na caminhada, Lula abriu espaço para ouvir pessoas que acompanhavam a atividade. Entre as manifestações, participantes destacaram a importância das universidades, da ciência e das políticas públicas. O ato também foi marcado pelo chamado à participação eleitoral, em um momento decisivo para a campanha.

Já no segundo turno, em 16 de outubro, o presidente cumpriu duas agendas no mesmo dia: uma caminhada em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e outra em Ipatinga, no Vale do Aço. As atividades ampliaram a presença da campanha em regiões com histórias distintas de organização social e de participação política.
Em Juiz de Fora, a concentração ocorreu na Praça Clodesmidt Riani. A caminhada seguiu pela avenida Getúlio Vargas até a Praça Tarcísio Delgado, no centro da cidade. O ato reuniu apoiadores e lideranças políticas em torno da defesa dos direitos da classe trabalhadora. Na mesma data, Lula destacou a promulgação da emenda constitucional que encerrou a escala 6×1 e estabeleceu a redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial.
Para Michelle, militante do MST que participou da atividade, a mobilização foi um momento histórico, marcado pela presença de trabalhadores e trabalhadoras nas ruas e pela emoção de acompanhar a resposta popular.
“Foi um dos maiores atos que eu já vi acontecer na cidade. Era um mar de pessoas, de mulheres, de homens, de trabalhadores, um mar vermelho. Foi muito emocionante para todos nós que estávamos lá”, relata.
A militante também destacou a fala de Lula sobre a história das lutas da classe trabalhadora, relacionando as conquistas de direitos à mobilização popular. Para ela, o ato expressou uma disputa que vai além das candidaturas e envolve diferentes projetos para o país.
Em Ipatinga, no Vale do Aço, a caminhada reuniu apoiadores nas proximidades da avenida José Selim de Sales. A região tem uma história marcada pela industrialização e pelas lutas sindicais, o que deu destaque ao debate sobre emprego, renda e desenvolvimento econômico.
Durante a atividade, Lula afirmou:
“Do meu lado, eu só tenho o povo brasileiro”.
Em seguida, declarou:
“O que posso dizer pra vocês é que esse 4° mandato será o mandato do desenvolvimento econômico”.
A sétima agenda ocorreu em 21 de outubro, em Belo Horizonte, na reta final da campanha para o segundo turno. A mobilização começou na Praça da Estação, passou pela Praça Sete e seguiu até a Praça Raul Soares, reunindo apoiadores, lideranças políticas e movimentos populares no centro da capital.
A atividade contou com a presença de Janja, lideranças políticas e representantes de movimentos sociais, incluindo militantes do MST. Durante a caminhada, apoiadores expressaram confiança na vitória e reforçaram a importância da participação popular na reta final da disputa.
Segundo estimativa divulgada no ato, cerca de 200 mil pessoas participaram da mobilização. A agenda encerrou a sequência de visitas de Lula a Minas Gerais durante a campanha e reforçou a centralidade do estado na disputa presidencial.
A última caminhada também evidenciou o papel das ruas como espaço de encontro, diálogo e mobilização política. A presença dos movimentos populares reforçou a articulação entre a campanha eleitoral e o trabalho de base desenvolvido nos territórios.
Empate técnico aumenta a importância do trabalho de base
A proximidade entre os candidatos nas pesquisas reforça a importância do diálogo com a população. O cenário eleitoral em Minas indica uma disputa aberta, na qual a participação eleitoral e a capacidade de apresentar propostas podem influenciar o resultado.
Em um estado com realidades tão diversas, a campanha precisa alcançar diferentes públicos e compreender as demandas presentes em cada território. A mobilização em Belo Horizonte não substitui o diálogo com as famílias do Norte de Minas, assim como os atos em Juiz de Fora e Ipatinga precisam ser acompanhados por ações que cheguem aos bairros, às comunidades e aos locais de trabalho.
É nesse processo que o trabalho de base do MST ganha importância. As Brigadas Estadual e Metropolitana de Mobilização Popular atuam na organização de militantes, na formação política, na produção de materiais e na realização de atividades nas ruas e nas redes sociais. O objetivo é ampliar o debate sobre os projetos em disputa e aproximar as pautas do Movimento das necessidades da população.
A mobilização envolve ações de panfletagem, conversas com trabalhadores e trabalhadoras, atividades em bairros e espaços públicos, produção de conteúdos e participação em atos políticos. A comunicação popular integra esse trabalho ao levar informações aos territórios e ampliar a circulação das pautas defendidas pelo MST.
As brigadas também constroem ações em parceria com outros movimentos sociais e organizações populares. Essa articulação reúne diferentes experiências de luta e contribui para apresentar à sociedade questões como a defesa dos serviços públicos, a valorização do trabalho, o combate à fome, a soberania nacional e a democratização do acesso à terra.
O trabalho não se limita aos dias em que Lula está no estado. A preparação para as agendas, a organização dos militantes e a continuidade das ações nos territórios são parte de um processo que busca fortalecer a participação popular. Cada atividade de formação, conversa e comunicação contribui para levar o debate eleitoral a quem nem sempre acompanha os grandes atos.
Reforma Agrária Popular no centro do projeto de país
Para o MST, a disputa presidencial também envolve os rumos da política agrária e das condições de vida das famílias camponesas. A Reforma Agrária Popular defende a democratização do acesso à terra, o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, a produção de alimentos saudáveis e a garantia de condições para que as famílias possam viver e produzir com dignidade.
A conquista da terra é parte desse processo, mas não encerra as necessidades dos assentamentos e acampamentos. É preciso garantir crédito, assistência técnica, infraestrutura, acesso à água e condições de comercialização. Essas políticas contribuem para fortalecer a produção de alimentos e ampliar o acesso da população a uma alimentação de qualidade.
A relação entre campo e cidade é fundamental nessa construção. O alimento que chega à mesa das famílias depende do trabalho de quem planta, colhe, transporta e comercializa. Fortalecer a produção camponesa significa também defender a segurança alimentar e reconhecer o papel das famílias que trabalham na terra.
Por isso, o MST relaciona a campanha eleitoral à defesa de políticas públicas que atendam às necessidades da maioria da população. A luta pela Reforma Agrária Popular integra uma agenda mais ampla de direitos sociais, valorização do trabalho, educação, saúde e participação popular.
A mobilização em torno de Lula também expressa a avaliação política do Movimento sobre a importância de impedir retrocessos e fortalecer as condições para avançar nessas pautas. A campanha é um espaço de disputa sobre as prioridades do país e sobre o papel do Estado na garantia de direitos.
Minas Gerais na reta final da campanha
As sete agendas de Lula em Minas Gerais, entre agosto e outubro, mostram a importância atribuída ao estado na disputa presidencial. Da Praça da Estação, em Belo Horizonte, à caminhada em Montes Claros, passando pelo ato Mulheres com Lula, pela mobilização Brasil Pronto pra Mais e pelas atividades em Juiz de Fora, Ipatinga e novamente na capital, a campanha buscou reunir apoiadores e ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade

O cenário eleitoral reforça a importância da participação popular e do debate público. Na reta final antes do segundo turno, a mobilização nas ruas, nos bairros, nas comunidades e nos locais de trabalho é fundamental para ampliar o diálogo com a população e fortalecer a participação nas urnas.
O MST segue mobilizado em Minas Gerais, com as Brigadas Estadual e Metropolitana de Mobilização Popular, em articulação com movimentos sociais e organizações populares. A tarefa é seguir nas ruas, nos bairros, nas comunidades e nas redes, ampliando o diálogo com o povo e fortalecendo a participação popular nesta reta final da campanha.
Cada conversa, cada bandeira levantada e cada militante que se soma a essa construção fazem parte de uma mobilização coletiva que não se encerra nos grandes atos. É no trabalho de base, na organização popular e na unidade da classe trabalhadora que se constroem as condições para avançar nas conquistas sociais e defender um projeto de país com democracia, soberania e direitos.
Minas Gerais está em movimento. As sete agendas de Lula no estado mostram a força da mobilização popular e o compromisso de militantes e movimentos sociais com a disputa de projetos para o Brasil. O MST segue junto do povo, com disposição de luta, esperança e organização, para transformar a mobilização em força popular nas urnas. É nas ruas, nos territórios e na luta coletiva que se constrói a vitória do povo!
Editado por: Vítor Peruch



