Governo Alckmin impede votação e discussão de plebiscito nas escolas


Por Karen Marchetti
Do ABCD Maior


Por Karen Marchetti
Do ABCD Maior

O governo do estado de São Paulo impediu que urnas de votação do plebiscito popular para a reforma política entrassem nas escolas da rede estadual de ensino, dificultando a participação da juventude no debate. A denúncia parte de entidades sociais que organizaram a consulta pública, afirmando que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) enviou ofício às escolas estaduais para que os professores evitassem realizar a discussão sobre o plebiscito nas salas de aulas. Além disso, o tucano teria solicitado que diretores não autorizassem as entradas das urnas.

No ABC paulista, nenhuma escola recebeu a votação, afirma a coordenação regional do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Algumas urnas foram retiradas das escolas. Organizadores da consulta popular na região acreditam que o comunicado do governo do estado, impedindo o debate nas instituições de ensino, culminou numa ação truculenta das direções das escolas para impedir a votação.

“O plebiscito é uma consulta pública. O governo do estado impediu que os alunos fizessem este debate. A atitude de Alckmin foi contrária à participação popular e a democracia”, disse o coordenador do Comitê Operatório do Plebiscito Popular de São Bernardo, Artur Paes Aranão.

Para driblar o bloqueio do governo do estado, organizadores da consulta realizaram campanha de conscientização e votação nas portas de escolas, além de incentivar a votação pela internet.

A Apeoesp pediu formalmente ao governo do estado autorização para organizar o plebiscito nas escolas estaduais no dia 29 de agosto. Alckmin negou o auxílio, argumentando que não poderia ajudar por ser tratar de uma eleição e, sendo assim, necessitaria de autorização da Justiça Eleitoral.

“Não podíamos nem fazer o debate nas salas de aulas. Foi um grande constrangimento. A posição de Alckmin vai na contramão da educação, que defende o acesso ao saber. Não foi um debate eleitoreiro”, avaliou o presidente da Apeoesp de São Bernardo, Aldo Santos.

“O governo do Estado não quis que os alunos tivessem acesso às informações. Isso ficou claro. Impediu o direito do aluno participar de um dos debates mais importantes para a juventude nos últimos tempos”, disse Fernando Souza de Melo, o Chuck, um dos organizadores do plebiscito em Ribeirão Pires.

O governo do estado, por meio da Secretaria Estadual de Educação, informou que recebeu o ofício da Apeoesp após o início da votação do plebiscito e, por isso, não autorizou a entrada de urnas nas escolas.

O resultado da consulta será conhecido na próxima semana e encaminhado ao Congresso Nacional, tendo como objetivo pressionar os deputados a convocar uma Constituinte Exclusiva, onde a população elege novos representantes para alterar a Constituição e promover a reforma política.