Maranhão

MST do Maranhão reúne mais de 200 famílias em Assembleia Popular

Ação compõe a Jornada Nacional de Lutas do Movimento, com formação, solidariedade e ocupações em todo o país
Assembleia aconteceu em área ocupada pelo MST desde setembro de 2009. Foto: Laís Alanna

Por Mariana Castro e Laís Alanna
Da Página do MST

Na manhã desta segunda-feira, 15 de abril, que já soma mais de 24 ocupações de latifúndios por todo o país, o Movimento Sem Terra do Maranhão se soma às ações da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária com a realização de uma Assembleia Popular, que reuniu mais de 200 famílias Sem Terra.

O encontro de mobilização aconteceu no acampamento Maria Aragão, no município de Duque Bacelar e contou com mais de 14 comunidades da região, com o objetivo de discutir a urgência da Reforma Agrária, focando, especialmente na regularização fundiária do acampamento, no enfrentamento às violências no campo, além de propor uma agenda de lutas pela terra na região.

Foto: Laís Alanna

Abril é o mês que entrou para a história da luta pela terra no Brasil, em memória do Massacre de Eldorado do Carajás, quando 21 Sem Terra foram brutalmente assassinados pela Polícia Militar do estado do Pará em 1996.

O acampamento Maria Aragão resiste desde setembro de 2009 e compõe a regional Itapecuru, do Maranhão, considerado um dos estados mais violentos no campo e marcado pelo desmatamento que dá lugar às monoculturas e pulverização aérea de agrotóxicos.

Famílias reivindicam regularização fundiária da área e direitos como saúde e educação do campo. Foto: Laís Alanna

“No dia de hoje temos milhares de camponeses e camponesas que estão mobilizados para pautar a Reforma Agrária e para dizer que é importante e necessário discutir a pauta da terra, e além dela as políticas públicas, nossas escolas do campo, a produção de alimentos saudáveis e discutir o que o povo, de fato, precisa em seus territórios”, explica Aldenir Gomes, coordenador nacional do MST no estado.

No encontro foram pautadas reivindicações históricas do acampamento, a exemplo de segurança para as famílias, efetivação do acesso à educação no campo para as crianças e jovens do território e a garantia de regularização fundiária, uma vez que as famílias acampadas, por repetidas vezes já sofreram perseguições por parte de grileiros.

Estiveram presentes representantes do governo estadual, municipal, sindicatos e associações. Foto: Laís Alanna

“É importante reforçar a importância dos órgãos federais estarem nesse debate, precisamos pensar como é que o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], vem atuando nessas questões, como a Superintendência da Pesca e o próprio INCRA [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] também atuam, porque muitos desses territórios em conflito são territórios de responsabilidade federal”, aponta a Secretária Adjunta da SEDIHPOP, Kelly Araújo.

Além de representantes do MST e da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular do Estado (SEDIHPOP), a Assembleia Popular contou ainda com a participação de sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras do município, de representantes do gabinete do deputado estadual Júlio Mendonça (PCdoB), da assessoria geral da Diocese de Brejo, Câmara de Vereadores de Duque Bacelar, Prefeitura de Duque Bacelar e do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP).

*Editado por Solange Engelmann