Reforma Agrária Popular
Famílias Sem Terra reivindicam ao INCRA a emissão de posse da Fazenda São João em Lagoa do Mato
Após avanço no processo de desapropriação, famílias organizadas pelo MST aguardam liberação da posse da terra para consolidação de assentamento da Reforma Agrária

Por Laís Silva
Da Página do MST
Cerca de 150 famílias Sem Terra organizadas pelo MST aguardam que o INCRA emita a posse da Fazenda São João, em Lagoa do Mato, para consolidar a criação de um assentamento da Reforma Agrária no Maranhão. O processo faz parte das demandas da luta por Reforma Agrária no Maranhão.
A negociação de desapropriação teve início a partir de reivindicação de trabalhadoras e trabalhadores rurais que já trabalhavam e viviam nos arredores da fazenda, visando o cumprimento da função social da terra e sua distribuição. Em seguida, o INCRA passou a conduzir o processo de aquisição da área por meio do Decreto 433, instrumento que prevê a compra e negociação direta entre os proprietários e o órgão federal, processo que já foi concluído.
As famílias já receberam acompanhamento de agentes do INCRA da regional de Imperatriz, em 2025, juntamente com o dirigente do setor de produção do MST, Gilvan dos Santos, durante o processo de cadastramento de cerca de 200 famílias que poderão ser beneficiadas com a criação do assentamento.

No dia 9 de maio de 2026, o MST no Maranhão realizou uma atividade com cerca de 150 famílias que aguardam a emissão da posse da Fazenda São João. A programação teve como foco o diálogo sobre o andamento do processo da posse, que agora depende do INCRA para a emissão e o cadastramento das famílias beneficiárias. Também houve momentos de formação, debates sobre a luta pela terra e orientações sobre os processos organizativos necessários para a consolidação do assentamento.

Durante a atividade, destacou-se a importância da organização coletiva e da mobilização permanente das famílias para fortalecer a luta pela Reforma Agrária. Reafirmando que o vínculo a associações fortalece o diálogo com as instituições e facilita o acesso a programas de apoio à produção e à melhoria das condições de vida. As famílias também destacaram a necessidade do acesso à terra. Ivana Carneiro, moradora do povoado Barreiro, afirma:
Nós queremos essa terra porque moramos aqui há muitos anos e sobrevivemos dela, da lavoura. Para nós, seria uma melhoria para a nossa sobrevivência, vivendo nessa área do nosso alimento e do nosso trabalho.”
A expectativa das famílias Sem Terra é que a emissão da posse da terra se materialize com urgência, passo fundamental para garantir condições de produção, segurança e permanência no campo. Para os trabalhadores rurais, o acesso à terra significa a possibilidade de fortalecer a agricultura camponesa, produzir alimentos saudáveis e construir uma vida digna para as famílias no território. A principal reivindicação é que o INCRA agilize a emissão da posse da terra, assegurando às famílias o direito à moradia, produção e permanência digna no território.

*Editado por Fernanda Alcântara



