Territórios

Romaria agroecológica reúne quilombolas, assentados e agricultores em Canguçu (RS)

Encontro no Quilombo Bisa Sabina Mendes articula resistência, espiritualidade, alimentação e organização coletiva

4ª Romaria Ecumênica de Agroecologia reuniu agricultoras e agricultores, quilombolas, assentados e movimentos sociais | Foto: Rafa Dotti

Por Fabiana Reinholz e Marcelo Ferreira
Do Brasil de Fato

Entre rezas, cantos, partilhas e debates, o Quilombo Bisa Sabina Mendes, no 5º Distrito de Canguçu (RS), recebeu, no sábado (18) e no domingo (19), a 4ª Romaria Ecumênica de Agroecologia. Em meio à paisagem rural, o encontro reuniu agricultoras e agricultores, quilombolas, assentados e movimentos sociais em torno da defesa da agroecologia como projeto político, articulando espiritualidade, produção de alimentos e organização coletiva diante da crise ambiental, da violência no campo e da concentração de terra.

Ao longo dos dois dias, a programação combinou mística, seminários, visitas às unidades produtivas, feira e noite cultural. Um dos momentos centrais foi a caminhada realizada no território do quilombo, marcada por orações, música, silêncio e reflexões sobre união e fé. As atividades foram organizadas como espaços de formação política, troca de saberes e fortalecimento comunitário, articulando prática produtiva, ancestralidade, cultura afrodescendente e organização coletiva.

Quilombo Bisa Sabina Mendes abriu as portas para a romaria no final de semana
Quilombo Bisa Sabina Mendes abriu as portas para a romaria no final de semana | Foto: Rafa Dotti

“A agroecologia é orientar a vida”, resume o assentado Marino Nogueira, um dos coordenadores da romaria. A afirmação sintetiza o sentido atribuído ao encontro por participantes e organizadores, ao conectar produção, espiritualidade e organização coletiva no território.

Em um município marcado pela presença de quilombos e assentamentos da reforma agrária — são 16 comunidades reconhecidas e uma em processo de articulação —, a romaria reuniu diferentes organizações e sujeitos do campo. Participaram assentados, quilombolas, dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento das Pequenas e Pequenos Agricultores (MPA), além de professores e estudantes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), agentes da Pastoral Negra e dirigentes do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Pelotas, entre outros.

Memória e educação do campo

Mística com estudantes de escola localizada em comunidade quilombola de Canguçu
Mística com estudantes de escola localizada em comunidade quilombola de Canguçu | Foto: Rafa Dotti

A mística de abertura relembrou os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, com apresentações culturais e uma dança realizada por alunos em referência à resistência quilombola. A atividade contou com a participação da Escola Oziel Alves Pereira, localizada no assentamento Renascer, que reúne cerca de 90 famílias e tem origem na luta do MST.

A diretora da escola, Eliane Beatriz Muller, destacou a importância de resgatar a história dos assentamentos e da luta pela terra. “Ontem (17) marcou os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. Como a escola abraçou essa missão de fazer mística e resgatar a história dos assentamentos com os quais trabalha, foi um momento muito especial para nós”, explicou.

Diretora da Escola Oziel Alves Pereira, Eliane Beatriz Muller
Diretora da Escola Oziel Alves Pereira, Eliane Beatriz Muller | Foto: Rafa Dotti

Segundo Muller, o patrono da escola foi uma das vítimas do massacre. “O Oziel Alves Pereira foi o mais jovem, era estudante de Magistério, com quase 18 anos, uma das lideranças da marcha, e ele foi assassinado. Então não teria como a gente não lembrar esse dia.”

Ao falar sobre a relação entre escola e território, a diretora destacou o vínculo com povos tradicionais. “Quando nós nos reconhecemos como escola do campo, tu não consegue se separar desses grupos, dos indígenas, dos quilombolas, porque é a nossa história de vida.” Ela também ressaltou o papel da educação nesse processo. “Quando tu pensa no quilombo, é o povo indígena, é o resgate. É para os alunos se sentirem parte e verem que as comunidades quilombolas estão se organizando.”

Para Muller, a agroecologia deve ser compreendida como um modo de vida. “A agroecologia precisa ser reconhecida como o futuro. Não é só pensar em produção de alimento sem veneno, é uma outra maneira de encarar a vida, valorizando a vida no nosso planeta, interligando plantas, animais e seres humanos.”

Juventude e sucessão rural

A participação da Escola Família Agrícola da Região Sul (EFA-Sul) na romaria reforçou a relação entre educação do campo, juventude e agroecologia. Psicóloga da instituição, Annelise Flores explicou que a presença da escola no evento está ligada à inserção nos territórios rurais. “A gente sempre teve essa inserção aqui nesses territórios. Temos muitos alunos dos quilombos e dos assentamentos, que é o que a gente prioriza.”

Anelise Flores da Escola Família Agrícola da Região Sul
Anelise Flores da Escola Família Agrícola da Região Sul | Foto: Rafa Dotti

Segundo ela, a escola oferece ensino médio com formação técnica em agroecologia, atuando como contraponto ao modelo do agronegócio. “A gente surge como uma resistência, partindo da base, que é a juventude. A proposta é manter eles no campo, com conhecimento, respeitando a diversidade e a natureza.”

A metodologia da pedagogia da alternância articula teoria e prática. “Os alunos ficam um período na escola e depois voltam para a comunidade, onde colocam em prática nas propriedades. E também trazem saberes da prática, muitas vezes aprendidos com as famílias.”

Violência no campo e modelo de produção

Ao longo da romaria, a defesa da agroecologia apareceu associada à crítica ao modelo dominante de produção agrícola e à denúncia da violência no campo. O extensionista da Emater, professor de geografia e quilombola de Canguçu, Leandro Rodrigues Flor, relacionou a luta pela terra com a permanência de conflitos, retomando o Massacre de Eldorado do Carajás como marco histórico.

“Se a gente olhar os últimos 30 anos, continuaram matando. Quem morre na ponta continua sendo os mesmos”, afirmou, citando também o caso de um agricultor assassinado em Pelotas sem responsabilização.

Extensionista da Emater, professor de geografia e quilombola de Canguçu, Leandro Rodrigues Flor
Extensionista da Emater, professor de geografia e quilombola de Canguçu, Leandro Rodrigues Flor | Foto: Rafa Dotti

Flor criticou o enquadramento da agricultura familiar no discurso do “agro”. “Quando passaram a tratar a agricultura familiar como agro, nos empurraram para o precipício. Esse agro é o mesmo que sempre nos matou e explorou.”

Diante desse contexto, defendeu a agroecologia como alternativa e chamou atenção para a violência de gênero. “O Rio Grande do Sul tem o maior número de feminicídio per capita. Isso precisa ser debatido com firmeza.”

Para ele, a agroecologia ultrapassa a produção e propõe outro modelo de sociedade. “A agroecologia nos propõe ser mais humano, com respeito à terra e às pessoas.”

Racismo e articulação internacional

Romaria no território quilombola
Romaria no território quilombola | Foto: Rafa Dotti

Presente ao evento, o venezuelano e doutorando em Memória Social e Patrimônio Cultural na UFPel, Juan Pinango, pontuou que sua participação na romaria está ligada à sua trajetória junto aos movimentos sociais afrodescendentes no Brasil. “Não estou aqui para buscar informação e ir embora. Estou com a intenção de encontrar com a gente.”

Pinango relacionou a experiência brasileira com sua origem na Venezuela, destacando que quilombos, cumbes palenques são expressões de um mesmo processo histórico de resistência nas Américas. Segundo ele, o reconhecimento dessas comunidades é fundamental para enfrentar a exclusão histórica e avançar na valorização do patrimônio cultural.

“Nossa luta é internacional”, afirmou, ao destacar a necessidade de articulação entre povos diante do racismo estrutural.

Quilombo e território em disputa

Para Adilson Oliveira Schuch, da direção do MPA e vereador de Canguçu (PT), a escolha do local reforça o caráter político do evento. “A romaria tem um apelo simbólico. Esta é a quarta edição e acontece dentro de uma comunidade quilombola.”

Vereador de Canguçu Adilson Oliveira Schuch, da direção do MPA
Vereador de Canguçu Adilson Oliveira Schuch, da direção do MPA | Foto: Rafa Dotti

Segundo ele, a agroecologia não se limita à técnica, mas envolve concepção de mundo. “A agricultura familiar camponesa, representada aqui por uma família quilombola, tem vários aspectos na propriedade que garantem esse debate.”

Schuch destacou ainda a dimensão histórica da luta quilombola. “Quando se trata de uma propriedade dentro de um quilombo, também há uma história de resistência, de enfrentamento estrutural. Mas também no aspecto atual, em que a luta se dá no contexto do enfrentamento ao modelo hegemônico, isso se fortalece muito.”

Soberania alimentar

Da direção estadual do MST no Rio Grande do Sul, Álvaro Delatorre destacou o significado político do encontro. “Se isso fosse um grande latifúndio voltado à exportação, seja de soja, seja de eucalipto, ou mesmo de carvão mineral, a gente não estaria aqui”, disse.

Álvaro Delatorre, dirigente do MST
Álvaro Delatorre, dirigente do MST | Foto: Rafa Dotti

Para o dirigente, a presença dos movimentos está diretamente ligada ao tipo de organização do território. “Estamos aqui porque há diversidade, quilombo, pluralidade, agricultores e agricultoras que se identificam com a sua condição de classe.”

Ele também destacou dois elementos centrais da experiência: resistência e superação. “A gente não só critica, a gente propõe”, afirmou, ao citar a defesa da reforma agrária, da regularização das comunidades quilombolas e do cooperativismo como prática.

Ao abordar a alimentação, defendeu o conceito de soberania alimentar. “As pessoas precisam decidir o que comer e como produzir a partir da sua cultura e do seu território.”

Espiritualidade e políticas públicas

Representando o Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene), Cláudia Rosana de Freitas Dutra destacou a relação entre agroecologia e espiritualidade. Segundo ela, o tema dialoga diretamente com a presença de comunidades tradicionais no estado, que concentra um dos maiores números de terreiros do país. “A própria forma de ser, fazer, existir e viver das comunidades e povos tradicionais tem a ver com essa construção, que é cultural, social e política.”

Cláudia Rosana de Freitas Dutra, do Codene
Cláudia Rosana de Freitas Dutra, do Codene | Foto: Rafa Dotti

Ela também defendeu a construção de políticas públicas voltadas aos povos tradicionais. “A nossa intenção é construir uma política pública de Estado que respeite os povos e comunidades tradicionais.”

Coordenadora dos Agentes Pastorais Negros no estado, Ernestina dos Santos Pereira reforçou a importância da continuidade das ações e da organização coletiva. “Os pequenos, quando estão unidos, conseguem avançar mais, garantir uma vida mais digna.”

Coordenadora dos Agentes Pastorais Negros no estado, Ernestina dos Santos Pereira
Coordenadora dos Agentes Pastorais Negros no estado, Ernestina dos Santos Pereira | Foto: Rafa Dotti

Ela também abordou o racismo estrutural. “Hoje a gente vê a maioria do povo negro, principalmente jovens e mulheres, sendo mortos muitas vezes apenas por suspeita. Esse cenário é herança direta da escravidão.”

Ao apontar desafios concretos, Pereira destacou limites no acesso às políticas públicas. “Não adianta ter estrutura se as pessoas não conseguem acessar.”

Durante a caminhada do segundo dia, a ialorixá Dinorah Silva Nunes, de Canoas, e integrante do movimento negro, destacou a importância de ocupar o espaço para homenagear os ancestrais e celebrar a natureza como fonte de vida.

Ialorixá Dinorah Silva Nunes
Ialorixá Dinorah Silva Nunes | Foto: Rafa Dotti

“Eu vim para homenagear a líder quilombola que morava aqui e os ancestrais que morreram para a gente conseguir ocupar esse quilombo. A natureza, dentro da minha religião, é tudo. O nosso jeito de rezar é diferente, mas a gente reza com o coração”, relatou Nunes.

Projeto de país em disputa

Presente na celebração, a deputada federal licenciada Reginete Bispo (PT) relacionou agroecologia, território e disputa política. “Quando a gente fala em agroecologia, está falando fundamentalmente de luta: luta pelo direito à terra.”

Deputada federal licenciada Rginete Bispo
Deputada federal licenciada Reginete Bispo | Foto: Rafa Dotti

Para ela, o contexto climático reforça esse debate. “Há um desequilíbrio provocado pela ação humana, e é preciso reconstruir essa relação com a natureza.”

Bispo também defendeu maior representação política. “Precisamos de mais assentados, mais quilombolas, mais mulheres e mais pessoas negras ocupando espaços de decisão.”

Presente na atividade, o deputado estadual Dr. Thiago Duarte também abordou o momento político e os rumos do desenvolvimento. “Este é um momento de escolhas para o estado e para o país”, afirmou.

Deputado estadual Dr. Thiago
Deputado estadual Dr. Thiago | Foto: Rafa Dotti

Ao comentar o cenário internacional, citou a situação da Palestina como exemplo de conflito e sofrimento de populações em disputa por território, defendendo modelos de desenvolvimento que priorizem a vida e os direitos humanos.

Representando o deputado Zé Nunes, Flávio Almeida destacou a entrega de duas emendas parlamentares destinadas à comunidade quilombola e a necessidade de ampliar políticas públicas. “Estou muito feliz de, nesta visita, trazer uma notícia positiva, não é muito, mas é um começo. Temos um compromisso com as comunidades quilombolas e sabemos que ainda há muitas dificuldades. Existem políticas públicas, mas são insuficientes. Precisamos de mais ações que atendam às necessidades dessas comunidades”, afirmou.

Almeida também ressaltou a importância da atuação conjunta no enfrentamento ao racismo. “A luta dos quilombolas e do povo negro não é só nossa. É também das pessoas que não são racistas e se somam a essa causa. Assim como o combate à violência contra as mulheres não é só das mulheres, o enfrentamento ao racismo também precisa ser coletivo. Isso fortalece a nossa luta”, disse.

Partilha do pão
Partilha do pão | Foto: Rafa Dotti

Agroecologia como modo de vida

Retomando o sentido mais amplo do encontro, o coordenador Marino Nogueira destacou a diversidade presente no território e o reconhecimento da comunidade. “A biodiversidade de vegetações e também a diversidade de pessoas não são por acaso. Não foi por nada que veio uma universidade para cá, para aprender com nós agricultoras e agricultores a agroecologia. Isso engrandece uma comunidade que quem passa na estrada muitas vezes nem sabe que existe.”

Ele também refletiu sobre o sentimento de insatisfação na sociedade contemporânea. “Eu trabalho de segunda a domingo, eu compro, eu consumo, mas eu estou insatisfeito. E essa insatisfação tem nome: é a falta de tempo para silenciar e buscar também aquele que é o autor e doador da vida”, disse.

O quilombola Marino Nogueira é um dos coordenadores da romaria
O assentado da reforma agrária Marino Nogueira é um dos coordenadores da romaria | Foto: Rafa Dotti

Para Nogueira, a agroecologia está ligada à reconstrução das relações humanas. “A gente precisa enfrentar os problemas. Às vezes precisa de um axé, de olhar nos olhos, de abraçar, de recuperar essa presença humana que temos desumanizado por um sistema que nos coloca só o ter e não cuidar da terra.”

O coordenador também criticou o modelo alimentar e seus efeitos na saúde. “Nós fomos adestrados para comer o que eles querem. Alimentos alterados, saturados. Por isso temos obesidade, diabetes. Não adianta Canguçu ser o segundo maior produtor de tabaco, mas a cada ano aumenta uma farmácia. Isso é um povo doente.”

Ele reforçou ainda a responsabilidade coletiva com o meio ambiente. “Se não cuidarmos da terra e das sementes, não temos condições de sobrevivência. A natureza está dizendo: ‘parem, me escutem’.”

Experiências no território

Romeiros conheceram produção agroecológica na região
Romeiros conheceram produção agroecológica na região | Foto: Rafa Dotti

Além de debates, o evento contou com visitas a unidades de produção familiar agroecológica no Assentamento São Pedro. O agricultor Marcos Santos de Moraes destacou as diferenças entre o agronegócio e a lógica camponesa. “Para nós, é vida, é natureza”, afirmou.

Ao percorrer a propriedade, Moraes chamou atenção para o cuidado com o ambiente e a preservação da biodiversidade como parte da produção, apontando a mata como condição para garantir equilíbrio ecológico e qualidade dos alimentos.

Assentado Marcos Santos de Moraes
Assentado Marcos Santos de Moraes | Foto: Rafa Dotti

A agricultora Leonilda Moraes, moradora do assentamento há 36 anos, cultiva uma produção diversificada. “Planto tudo orgânico: feijão, verdura, mandioca, batata-doce, além de hortas com cebola, alho e outras verduras.”

Para ela, a agroecologia vai além do alimento. “É preciso tirar o veneno de dentro primeiro, para depois ingerir o remédio da terra.”

Ela destacou que a organização coletiva melhorou a comercialização. “Antes a gente perdia muito. Hoje, com a cooperativa, temos comércio e não perdemos mais.”

Assentada Leonilda Moraes
Assentada Leonilda Moraes | Foto: Rafa Dotti

Leonilda vive com três filhos, que também trabalham na terra, e mantém uma produção que combina cultivo e criação de animais. “Tenho vaca, faço queijo, que troco com vizinhos. Também crio galinha crioula e vendo ovos quando tenho.”

Mulheres e violência no campo

Dulce Abreu, da UBM
Dulce Abreu, da UBM | Foto: Rafa Dotti

A romaria também se consolidou como espaço de denúncia da violência de gênero. Dulce Abreu, da União Brasileira de Mulheres (UBM), afirmou que “ser mulher é resistir, é a luta diária”.

A assentada Érica Albertanha Barbosa destacou a realidade no campo. “Aqui no campo, se a mulher sai da propriedade e não tem uma família que a acolha, ela fica sozinha e sem emprego.”

Érica Albertanha Barbosa, presidenta da Cooperativa Terra Agroecológica
Érica Albertanha Barbosa, presidenta da Cooperativa Terra Agroecológica | Foto: Rafa Dotti

Presidenta da Cooperativa Terra Agroecológica, ela também abordou os desafios da organização coletiva e os entraves burocráticos enfrentados para formalização e escoamento da produção.

Um projeto de território em construção

Primeira vereadora quilombola de Canguçu e única mulher na atual composição do Legislativo, Maica Tainara (PT), nascida na comunidade Potreiro Grande, no 2º distrito do município, avaliou a romaria como um espaço de fortalecimento político e coletivo. “A agroecologia representa muito mais do que produzir alimentos, é cuidado com a terra, respeito à natureza, valorização da agricultura familiar e defesa dos territórios.”

Vereadora de Canguçu, Maica Tainara (PT)
Vereadora de Canguçu, Maica Tainara (PT) | Foto: Rafa Dotti

Na avaliação da parlamentar, o encontro reafirma a importância da soberania alimentar e de políticas públicas voltadas a quem vive no campo.

Vanessa Rodrigues Freitas, do Quilombo Bisa Sabina Mendes e da coordenação da romaria, celebrou a realização do evento na comunidade. “Foi um casamento perfeito”, afirmou.

Vanessa Rodrigues Freitas é do Quilombo Bisa Sabina Mendes, que recebeu a romaria
Vanessa Rodrigues Freitas é do Quilombo Bisa Sabina Mendes, que recebeu a romaria | Foto: Rafa Dotti

Segundo ela, o encontro reuniu diferentes gerações e expressões religiosas em torno de um projeto comum. “Cada um teve a oportunidade de deixar a sua mensagem, reunindo desde os mais velhos, guardiões dos saberes, até as crianças que começam a entender o que é um quilombo e o que é uma religião.”

Editado por: Katia Marko