Futebol feminino
Ferroviária e MST realizam seletivas de futebol feminino em assentamentos do Nordeste
Parceria representa um marco para o fortalecimento da modalidade no país, democratizando oportunidades para jovens atletas do campo

Por Lays Furtado
Da Página do MST
Uma parceria inédita entre a Ferroviária, um dos clubes mais tradicionais do futebol feminino no Brasil, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promete abrir portas para jovens atletas de territórios da Reforma Agrária.
Nesta sábado, 13 de junho, a cidade de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, sediará a primeira seletiva voltada para a descoberta de novos talentos. O evento acontece no Centro de Formação do MST Patativa do Assaré e a expectativa é receber mais de 300 meninas vindas de acampamentos e assentamentos da região.
Para além da seletiva que acontece no Rio Grande do Norte, estão previstas novas etapas confirmadas no Nordeste ao longo do próximo do mês de julho: no dia 11, no assentamento Madre Paulina, em Lagoa Grande, Pernambuco; e no dia 25, no assentamento Jaci Rocha, no Prado, extremo sul da Bahia.
“Participar de uma ação como essa reforça um compromisso que vai além da formação de atletas”, afirma Nuty Silveira, Diretora Executiva do Futebol Feminino da Ferroviária. Para ela, a ação descentralizada das seletivas que ocorrem nos centros urbanos, cumpre um papel social crucial de democratização do acesso ao esporte de alto rendimento, alcançando talentos que muitas vezes ficam invisíveis aos grandes clubes.
“Sabemos que existem muitos talentos espalhados pelo Brasil que não têm acesso às oportunidades. As seletivas nos territórios de Reforma Agrária ampliam esse alcance e ajudam a tornar o futebol feminino mais diverso, representativo e acessível”, complementa a diretora do time.
Frutos da parceria

Esta não é a primeira iniciativa conjunta entre o clube e o Movimento. O projeto piloto já se provou vitorioso: em setembro de 2025, durante seletiva realizada em Araraquara (SP), a jovem Sem Terrinha Nicoly Gonçalves, foi selecionada aos 12 anos, e hoje integra a categoria de base profissional da Ferroviária.
“Ver hoje as mulheres Sem Terra ocupando esses espaços é resultado de uma conquista coletiva que marcou a história de todo o país. O esporte é uma poderosa ferramenta de inclusão, emancipação e transformação social nos territórios”, destaca Irislene Dias Lima, integrante da Frente de Esporte e Lazer do MST, lembrando que o futebol historicamente foi proibido para mulheres no Brasil até a década de 1980.
“O campinho de terra costuma ser uma das primeiras estruturas organizadas nos nossos acampamentos. O esporte representa uma oportunidade de participação e protagonismo para a juventude”, resume Irislene.
Dessa forma, a parceria representa um marco tanto para o fortalecimento do futebol de mulheres no país quanto para a consolidação da Reforma Agrária Popular, como espaço gerador de oportunidades e cidadania feminina.
*Editado por Solange Engelmann



