Bancada da Reforma Agrária

Nessas eleições, a direita não tira o MST da boca. Terão que engolir a Reforma Agrária Popular no país

Propagandas de candidatos da direita citam o MST para gerar pânico moral, mas a Reforma Agrária Popular está em pauta e pede representação no Parlamento

Foto: Luara Dal Chiavon

Da Página do MST
Por Guilherme H. Guilherme

Basta ligar a televisão ou o rádio: diversas propagandas eleitorais de candidatos da direita mencionam o MST. Eles buscam relacionar seus adversários ao MST. Fazem pânico moral com as ocupações da luta pela terra. Prometem a eleitores que se esforçam para pagar o aluguel e nunca estiveram próximos a uma ocupação ou assentamento da Reforma Agrária que, ao votar neles, “o perigo do MST será afastado”.

Em uma das disputas pelo senado, um candidato direitista sugeriu em debate que seu oponente (também do campo conservador) deveria usar um boné do MST, apenas por este não ter alinhamento completo com o Bolsonarismo; em seu programa eleitoral de rádio e tv, determinado candidato a governador, exageradamente “harmonizado”, apresenta como ponto alto de seu currículo ter presidido a CPI do MST (que finalizou sem, sequer, um relatório aprovado); em outra inserção, com efeitos visuais dignos da novela Mutantes da Record, o lado direito da tela é relacionado ao progresso, à harmonia e a direita, enquanto o lado esquerdo é relacionado à corrupção e, claro, às “invasões” de terra.  

Em consulta a uma plataforma que analisa, em dados, peças veiculadas na mídia nos últimos dias, nota-se algo claro: a Reforma Agrária está em pauta nessas eleições. Ela não sai da boca de seus adversários. Seus inimigos tentam surfar nas percepções negativas, criadas por décadas de coberturas midiáticas, que buscam, a marteladas, convencer o povo brasileiro de que o agronegócio é “pop” e a Reforma Agrária e a luta pela terra “atrapalham” o país. 

Um espectro não deixa de rondar o imaginário direitista: o espectro do MST e da Reforma Agrária. Combater o Movimento está na ordem do dia da turba impulsionada a candidatos e candidatas parlamentares pelos ventos da extrema-direita. Nesse sentido, parece estar cada vez mais claro como é essencial eleger os candidatos e as candidatas do MST, candidatos que irão, sim, discutir e formular políticas públicas, que irão votar e aprovar propostas, mas, centralmente, candidatos que irão 1) defender o MST como agente da Reforma Agrária Popular; 2) se utilizar das tribunas estaduais ou federal para impulsionar o tão necessário contraponto aos candidatos que mobilizam o medo ao MST como mote para angariar voto. 

No país em que algumas das principais iniciativas do agronegócio é, por um lado, a de construir a autoimagem de que é “pop”, enquanto, por outro lado, financia candidatos que conformam a sua tropa de choque nos parlamentos e nas redes, as tribunas se tornaram um dos campos de batalha da disputa entre dois projetos distintos e antagônicos: o da Reforma Agrária Popular vs Agronegócio; o da produção de alimentos saudáveis vs o da produção de commodities para a exportação; o da coabitação com a natureza vs o do fogo, desmatamento e destruição ambiental. 

“Contra as mentiras da direita, a nossa voz nas urnas: a urgência de eleger a Bancada da Reforma Agrária”

Se o agronegócio é hoje a principal força destrutiva do capital no país, não há mais como adiar que a ele se oponha uma bancada da Reforma Agrária Popular. Se a direita inunda os horários eleitorais com sua propaganda enganadora acerca do MST, não há mais como adiar que o MST fale por si na propaganda eleitoral. Se o agro conforma sua tropa de choque nos parlamentos, não há mais como adiar que candidaturas diretamente vinculadas ao MST estejam no combate parlamentar pela Reforma Agrária Popular.

O choque de projetos está dado. Quem considera importante a Reforma Agrária Popular em meio à catástrofe climática, ao encarecimento dos alimentos e à inundação de ultraprocessados nas prateleiras, tem candidatos cuja pauta central será contribuir com outra sociedade.

Se você ainda não conhece, conheça as candidaturas do MST. A direita não tira o MST da boca. É hora de ter que engolir nossas candidaturas.