Denúncia
MST denuncia ataque criminoso ao Acampamento Marilene Dantas, na Paraíba
Na madrugada de 8 de novembro, nove barracos do Acampamento Marilene Dantas, na Paraíba, foram incendiados e completamente destruídos em um ataque criminoso marcado por disparos de arma de fogo.

Por Camila Batista
Da Página do MST
Na madrugada deste domingo, 8 de novembro de 2026, por volta das 2h, o Acampamento Marilene Dantas, localizado às margens da BR-101, entre os municípios de Alhandra e Pedras de Fogo, na área da antiga Usina Maravilha, na Paraíba, foi alvo de um violento ataque criminoso. Homens chegaram ao local efetuando disparos de arma de fogo e atearam fogo aos barracos das famílias. Ao todo, nove barracos foram queimados e completamente destruídos, em uma ação de extrema gravidade que colocou em risco a vida de dezenas de trabalhadores e trabalhadoras rurais.
Além de destruir as moradias, o incêndio também atingiu a vegetação nativa da área, provocando danos ambientais e ameaçando a biodiversidade local. A destruição da cobertura vegetal amplia a gravidade do ataque, que representa uma ameaça não apenas à vida e à segurança das famílias acampadas, mas também ao patrimônio ambiental desse território.
O acampamento abriga 40 famílias que vivem, trabalham e produzem na área. Ocupado em 2013, o território vem sendo construído pelo trabalho e pela resistência das famílias Sem Terra, que fazem da agricultura familiar e da produção de alimentos uma realidade concreta.
A antiga Usina Maravilha está situada em uma região historicamente marcada pela concentração fundiária e pela monocultura da cana-de-açúcar. Hoje, as famílias Sem Terra reivindicam uma destinação social para essa terra, transformando-a em espaço de moradia, trabalho e produção de alimentos. Trata-se de uma disputa entre dois projetos de sociedade: de um lado, a concentração da terra; de outro, a Reforma Agrária Popular e a possibilidade de construir uma vida digna no campo, em equilíbrio com a natureza.
Desde sua formação, em 2013, as famílias enfrentam um histórico de ameaças e violências. Não se trata, portanto, de um episódio isolado, mas de mais um capítulo de uma sequência de intimidações que busca amedrontar e expulsar aqueles e aquelas que lutam por um pedaço de chão para viver e trabalhar. Em episódios anteriores, integrantes do acampamento já foram vítimas de agressões físicas.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Paraíba repudia veementemente esse ataque e denuncia a escalada de violência contra as famílias acampadas. Queimar moradias, disparar armas de fogo, ameaçar trabalhadores e trabalhadoras e destruir a vegetação nativa são expressões de uma violência que atinge a vida, a dignidade humana, o meio ambiente e o direito legítimo de lutar pela Reforma Agrária.
Exigimos a imediata investigação do ocorrido, a identificação e a responsabilização dos envolvidos, bem como a adoção de providências urgentes pelos órgãos de segurança pública para garantir a integridade física das 40 famílias. Reivindicamos também a atuação dos órgãos ambientais para investigar os danos provocados pelo incêndio à vegetação nativa e responsabilizar os autores pelos crimes ambientais eventualmente identificados.
A terra precisa cumprir sua função social. As famílias do Acampamento Marilene Dantas não estão sozinhas. Seguiremos denunciando a violência no campo e defendendo um projeto de Reforma Agrária Popular que coloque a vida, a produção de alimentos e o cuidado com a natureza no centro de sua construção.
A luta pela terra não é crime! Crime é atacar famílias trabalhadoras, destruir suas moradias e ameaçar a natureza!
*Editado por Leonardo Correia



