Cuidar da natureza
MST no PR anuncia 4ª Jornada da Natureza com ações de reflorestamento no bioma Mata Atlântica
Ao todo serão 30 toneladas da semente nativa semeadas por helicóptero e entregues a comunidades da Reforma Agrária, e também na maior Terra Indígena do Paraná, Rio das Cobras, e para as comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira

Por Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR
Da Página do MST
A defesa da natureza é parte inseparável do projeto de Reforma Agrária Popular e está no cerne da luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Neste sentido, há quatro anos, como parte do Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis, o MST no Estado do Paraná promove a Jornada da Natureza, com ações massivas de reflorestamento no bioma da Mata Atlântica.
Com o lema “Semeando vida para enfrentar a crise ambiental”, este ano, em sua 4ª edição, a Jornada será realizada entre os dias 1 e 6 de junho e irá promover a semeadura aérea e distribuição de 30 toneladas de semente da Palmeira Juçara. A ação envolve quatro municípios do estado, além de diversas outras ações, como entregas de sementes e atividades de cuidado com o meio ambiente, espalhadas pelo estado. Áreas atingidas pelo tornado, em Rio Bonito do Iguaçu (2025) também serão reflorestadas.
“A Jornada da Natureza é a expressão do que já acontece nos territórios, e também pode ser impulsionador de processos que envolvem as ações ambientais. A cada ano cresce, porque é um compromisso permanente das comunidades, que anuncia a defesa e o cuidado dos bens comuns da natureza como construção baseada em um dos pilares da Reforma Agrária Popular”, conta Camila Modena, do setor de produção, cooperação e meio ambiente do MST do PR.
Este ano, a Jornada vai passar por dezenas de municípios do estado, prevendo programação de oficinas, plantio de mudas, recuperação de áreas degradadas, construção de Sistemas Agroflorestais (SAF’s), além da semeadura aérea da palmeira Juçara, a grande mística da Jornada da Natureza. Nas 3 primeiras edições foram 25 toneladas de sementes lançadas por helicóptero, além de outras 10 toneladas plantadas e entregues em comunidades do estado.
4ª Jornada da natureza: Semeando vida para enfrentar a crise ambiental
“A Palmeira Juçara é uma das espécies da Mata Atlântica que sofrem risco de extinção. Ela produz fruto semelhante ao açaí, e é muito adaptável no bioma, tendo registrado alta taxa de germinação, inclusive com a semeadura aérea”, explica Modena.
A semeadura por helicóptero teve efetividade comprovada por pesquisadores dos Sistemas Agroflorestais, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Itaipu Binacional. O monitoramento da equipe de pesquisa mostrou que nasceram entre 10 e 11 mil mudas por hectare, a partir da primeira semeadura, realizada em julho de 2023. O Estudo foi apresentado na terceira edição da Jornada.
“Agora, vamos para o quarto ano de plantio, sabendo que dentro de 3 anos poderemos começar a colher o fruto desse trabalho. Então além da recuperação, e o saldo de organização popular em defesa do meio ambiente, o projeto também tem esse caráter, de viabilizar atividades econômicas sustentáveis nestas comunidades”, conclui Modena.
Os povos e comunidades em defesa da vida
Além do MST, a Jornada da Natureza é uma atividade que envolve comunidades Indígenas e Quilombolas do estado (vide programação abaixo). Este ano, as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira se somam, pela primeira vez, aos territórios que recebem a semeadura da palmeira.
Ao todo, 12 comunidades, entre os municípios de Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras e Adrianópolis, irão receber as sementes, além de diversas comunidades de Reforma Agrária que realizam atividades em seus territórios.
“Um dos trabalhos mais significativos desse ano, além do encontro com as comunidades quilombolas, é o trabalho de reflorestamento das áreas de Rio Bonito do Iguaçu, que foram atingidas pelo tornado de 2025”, explica Tarcísio Leopoldo, da direção estadual do Movimento no estado. Para ele, trata-se de uma continuação do trabalho de solidariedade. “Essa decisão vem da nossa compreensão de que o meio ambiente é a nossa casa comum. O tornado foi uma consequência da exploração irresponsável da natureza, e agora as próprias comunidades se unem para cuidar”, conclui.
Camila Modena concorda e enfatiza que, a partir do programa da Reforma Agrária Popular, os Sem terra compreenderam que o cuidado da natureza só é possível com a participação dos povos e a organização popular. “E a Jornada tem nos mostrado isso, que lutar pela terra, plantar a [Palmeira] Juçara nos territórios, junto das pessoas, é um caminho para garantir a conservação do habitat junto ao povo, que também é seu guardião”.
Além do MST, a Jornada da Natureza é organizada em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Instituto Contestado de Agroecologia (ICA), a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (ACAP); a Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA); a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul; Laboratório Vivan de Sistemas Agroflorestais; Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Instituto Água e Terra; Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO); Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vidas (APOQI); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Prefeitura de Quedas do Iguaçu e o Fundação Luterana de Diaconia-Programa Capa de Agroecologia. Além do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Ibama e Instituto Água e Terra da Paraná (IAT).
Confira a Programação da 4ª Edição da Jornada da Natureza
01/06: Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras – Semeadura aérea de 2 toneladas de semente da Palmeira Juçara;
02/06: Comunidade Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu – Semeadura aérea de 10 toneladas;
03/06: Comunidade Herdeiros da Terra de 1º de maio, em Rio Bonito do Iguaçu. E atividades na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus de Laranjeiras do Sul, com a presença da Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e a semeadura aérea de 4 toneladas da semente.
06/06: Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira / Comunidade João Surá, em Adrianópolis – Semeadura aérea de 2 toneladas da semente.
*Editado por Solange Engelmann



