Feira da Reforma Agrária

Reforma Agrária e Universidade: produzir comida e conhecimento para transformação da sociedade

Seminário reúne pesquisadores, estudantes e movimentos populares para debater o papel das instituições públicas de ensino na construção de um projeto de campo justo e democrático.

Foto: Antônio Bufalo

Por Diógenes Rabello
Da Página do MST

As universidades públicas brasileiras têm um papel central na construção de um país mais justo. Ao produzir conhecimento, formar profissionais e dialogar com os territórios, essas instituições podem ser grandes aliadas das transformações sociais, sobretudo quando se aproximam de quem produz alimento, preserva a biodiversidade e luta pela terra.

Com base nessa perspectiva, que o Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra convidou pesquisadores aliados para o seminário “Universidade e Reforma Agrária: produzir comida e conhecimento para transformação social”. A atividade fez parte da programação formativa da 3ª Feira da Reforma Agrária Neusa Paviato, que acontece na Estação Cultura, em Campinas, deste sexta-feira, 6 de novembro.

O seminário reafirma a ciência como bem público e a Reforma Agrária como uma agenda urgente para o desenvolvimento nacional, a soberania alimentar e o enfrentamento das desigualdades históricas no meio rural.

O Prof. Joelson Gonçalves de Carvalho, da Universidade Federal de São Carlos, Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Extensão Rural (NuPER) e do TED AFLORAR, em parceria com o MDA, apontou que, “pensar a universidade, mas também pensar a reforma agrária para produzir comida, para democratizar o acesso à terra. Mas a Reforma Agrária é também fundamental para que a gente possa pensar em um país desenvolvido e não nas regras do mercado; é pensar democracia de fato e não apenas democracia de fato.”

Entre os temas em debate está a formação de jovens do campo, em especial por meio do Pro-Semeia (Programa Nacional de Formação em Assistência Técnica e Extensão Rural), ATER, programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A iniciativa busca ampliar as ações de formação da juventude rural, numa perspectiva de qualificação e fixação dos jovens no campo. Esse é um dos exemplos da articulação entre instituições públicas e ensino e movimentos sociais.

Foto: Antônio Bufalo

Para a Profa. Graciella Corcioli, da Universidade Federal de Goiás e Coordenadora do Pro-Semeia, “como a agricultura familiar é a maioria em quantidade e a minoria em terra, e no nosso contexto, principalmente a produção de alimentos que abastece o mercado interno. Precisamos de profissionais de ATER sendo bem formados para trabalhar com eles. Então é por isso que a formação é fundamental.”

“E esses territórios da Reforma Agrária propiciam para a gente um local não só para realizar pesquisas, não é só pesquisa, mas um local incrível de formação de estudantes”, apontou a Profa. Vanilde Esquerdo, a Universidade Estadual de Campinas e Coordenadora Regional do Pro-Semeia.

O encontro discutiu os desafios para que a universidade pública abra ainda mais suas portas a pesquisas científicas, projetos de extensão e programas de educação voltados aos trabalhadores e trabalhadoras do campo. Superar a distância entre os muros da academia e os territórios rurais é condição para que o conhecimento produzido chegue a quem mais precisa e retorne à sociedade em forma de soluções coletivas.

Fechando o seminário, Cristina Vargas, da Coordenação Nacional do MST, debateu que “Enquanto Movimento Sem Terra, entendemos que a universidade tem muito para contribuir com a nossa luta pela transformação social. E ela é necessária, para nós, visando desenvolver um projeto de reforma agrária popular e um projeto de sociedade que a gente defenda.”

*Editado por Aline Antunes