Meio ambiente

O voto pelo meio ambiente não é para daqui 30 anos: é para hoje!

Com efeitos do El Niño previstos para o Brasil, confira reportagens publicadas no site do MST sobre como o agronegócio segue sendo inimigo do meio ambiente

Rio Negro tem a maior seca da história. Foto: Bruno Kelly/ REUTERS

Por Fernanda Alcântara
Da Página do MST

Enquanto o debate eleitoral de 2026 se intensifica, o agronegócio volta a se apresentar como sinônimo de progresso, mesmo diante de evidências crescentes de que esse modelo aprofunda o colapso ambiental do país e do mundo. Fenômenos climáticos como o El Niño escancaram uma conta que o campo brasileiro já vem pagando há décadas como solos exauridos, rios contaminados e territórios tradicionais sob ameaça constante.

A Organização Meteorológica Mundial informou que o El Niño se consolidou em 2026 e pode alcançar intensidade muito forte no segundo semestre, ampliando o risco de chuvas extremas em algumas regiões e de secas em outras. A entidade ressalva, porém, que nenhum desastre deve ser explicado por um único fenômeno e os impactos dependem também do aquecimento global, da ocupação urbana, do desmatamento, da precariedade habitacional e da falta de prevenção.

Diante desse cenário, cresce a urgência de discutir caminhos concretos de superação da crise climática, e é nesse ponto que a Reforma Agrária Popular se firma como proposta central. A seguir, um infográfico com estes impactos pelo mundo e, após o infográfico, confira sete reportagens feitas pelo MST que expõem as diferentes faces da destruição promovida pelo modelo agroexportador e apontam a agroecologia como alternativa real de futuro.

Edição especial · Atualizado em 23 de setembro de 2026
INFOGRÁFICO · CLIMA GLOBAL

El Niño 2026-2027: os números até agora

Da Costa do Marfim ao Peru, sete cidades resumem uma temporada de chuvas extremas, calor recorde e ameaças diretas à soberania alimentar e à agricultura familiar.

Cidades de diferentes continentes enfrentaram enchentes, deslizamentos, ondas de calor e incêndios associados a condições meteorológicas extremas. Os eventos ocorreram em um cenário de aquecimento global e, em alguns casos, foram agravados pelo El Niño, que altera os padrões de chuva e temperatura no planeta. Confira nos gráficos abaixo:

+90% Probabilidade estimada pela NOAA de um El Niño muito forte entre a primavera e o verão de 2026–2027
+3°C Anomalia de temperatura já registrada no Pacífico equatorial leste em agosto de 2026
8.500+ Mortes já contabilizadas nos sete episódios mapeados nesta reportagem
1,6 mi+ Pessoas afetadas, evacuadas ou classificadas em risco imediato nas mesmas cidades

O Pacífico esquenta: dois cenários até 2027

A linha sólida mostra a anomalia de temperatura já observada na região Niño 3.4 desde janeiro de 2026. A partir de setembro, os pontilhados representam projeções construídas com base nas probabilidades divulgadas pela NOAA.

Anomalia de temperatura da superfície do mar (°C) em relação à média histórica, região Niño 3.4. Período: janeiro de 2026 a março de 2027.

O custo humano, cidade por cidade

Os números utilizam escala logarítmica para facilitar a visualização de diferentes ordens de grandeza. Passe o cursor sobre as barras para ver os valores exatos.

Vidas perdidas

Mortes confirmadas em cada episódio mapeado

Pessoas afetadas, evacuadas ou em risco

Contagens diretas divulgadas por autoridades locais

Sete cidades, um só fenômeno

Selecione uma cidade para ver os detalhes do caso, o impacto e a dimensão do desastre.

Soberania alimentar sob pressão

Enchentes e secas afetam diretamente a produção de alimentos, ameaçando a agricultura familiar e as cadeias locais.

Andes e cadeias de exportação

No Peru, o El Niño Costero levou autoridades a decretar emergência em mais de 700 distritos, afetando lavouras de subsistência e comunidades agrícolas locais.

Monções irregulares na Ásia

Chuvas de monção mais intensas em Mumbai coincidem com estiagens em outras regiões agrícolas indianas, desregulando o calendário de plantio.

Calor que seca a terra

Ondas de calor prolongadas na Europa reduzem a umidade do solo e a água disponível para irrigação, pressionando pequenas propriedades familiares.

1. Como o agronegócio no Brasil devasta florestas e comunidades tradicionais?

Esta reportagem investiga o impacto do avanço da pecuária e da monocultura sobre as florestas brasileiras e os territórios de povos e comunidades tradicionais. A expansão das pastagens, somada à grilagem de terras e ao uso intensivo de agrotóxicos, segue ameaçando biomas críticos como a Amazônia e o Cerrado — mesmo com a recente queda nos índices oficiais de desmatamento.

2. Desertos verdes: como as monoculturas industriais ameaçam o meio ambiente

A reportagem especial analisa os efeitos das chamadas “desertos verdes” — grandes monoculturas industriais de eucalipto, soja e cana-de-açúcar — sobre os recursos naturais do país. O avanço desses cultivos provoca esgotamento hídrico, perda acelerada de biodiversidade e deslocamento forçado de famílias camponesas, revelando os custos do agronegócio exportador.

3. “PL da Devastação”: entenda o projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental

O texto detalha os riscos do Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido como “PL da Devastação”, que propõe flexibilizar as regras de licenciamento ambiental no Brasil. A proposta permitiria a emissão automática de licenças por meio de autodeclaração, colocando em risco biomas estratégicos como a Amazônia e o Cerrado. Movimentos sociais, entre eles o MST, alertam que a medida favorece a exploração predatória e ameaça territórios indígenas e camponeses.

4. Reforma Agrária Popular: o caminho para enfrentar a fome e a crise climática

O texto apresenta um balanço das ações do MST em 2025, com avanços na produção agroecológica e em iniciativas de solidariedade, como a doação de alimentos. Apesar dos resultados internos, o Movimento aponta para a estagnação da Reforma Agrária no país, marcada pela falta de desapropriações e por orçamentos insuficientes. Para o MST, a democratização do acesso à terra é condição essencial para garantir a soberania alimentar e superar o modelo baseado em commodities voltado à exportação.

5. Crise climática: quais são as saídas possíveis pela Reforma Agrária Popular?

Em 2024, uma conferência promovida pelo MST em Campinas discutiu soluções concretas para a crise climática a partir da Reforma Agrária Popular. Os participantes apontaram o agronegócio como principal responsável pelo desmatamento e pela degradação ambiental no Brasil, defendendo a agroecologia como caminho para restaurar a biodiversidade e garantir alimentação saudável. O encontro reforçou a importância da mobilização política e do fortalecimento de mercados populares e cooperativas como alternativas à lógica predatória do capital.

6. Destruição e doença: os impactos do agronegócio no Cerrado brasileiro

O texto expõe as críticas do MST à paralisação das políticas de Reforma Agrária no país. Segundo o Movimento, a falta de investimento público compromete a criação de novos assentamentos e a infraestrutura das comunidades já existentes. A democratização da terra é apontada como resposta direta à crise climática, especialmente após os desastres ambientais registrados no Rio Grande do Sul. O programa Terra da Gente, segundo a reportagem, ainda é insuficiente diante das mais de cem mil famílias que vivem em acampamentos precários.

7. Mineração de terras raras no Brasil: a nova ameaça aos territórios camponeses

A reportagem investiga a expansão da mineração de terras raras no Brasil e seus impactos sobre territórios camponeses e indígenas. Segundo o texto, a busca global por minerais estratégicos reproduz uma lógica colonial de exploração, provocando desmatamento em larga escala e contaminação de água e populações por metais pesados. A matéria também denuncia a articulação política entre corporações e o lobby mineral no Congresso, fator que intensifica os conflitos agrários. Diante desse cenário, o MST e pesquisadores defendem a Reforma Agrária Popular e a agroecologia como alternativas ao modelo extrativista voltado ao lucro internacional.